“Nunca existiu uma estratégia bem definida pelo governo e pelo Ministério da Saúde para travar a pandemia da COVID-19 em Portugal” – Maria Luísa Xímenez.

A enfermeira-chefe, Maria Luísa Xímenez, tem a certeza que nunca existiu “uma estratégia bem definida pelo governo e pelo Ministério da Saúde para travar a pandemia da COVID-19 em Portugal”.

Em entrevista ao Canal S+, a responsável recorda que foi desenhado um plano estratégico e de referenciação dos hospitais que ficariam dedicados a tratar doentes COVID-19 como seria o caso dos Hospitais de Santa Maria, Estefânia e Curry Cabral , mas “na prática” só o Hospital Fernando da Fonseca chegou a ter “70 doentes infectados com o novo SARS-COV 2, 10 em Cuidados Intensivos”, denuncia.

Para a enfermeira-chefe, o país teve “dois a três meses para se preparar e nada de substancial foi feito”, até porque os meios que o governo anunciou que tinha disponíveis para lutar contra esta “guerra sanitária” sempre foram os mesmos de sempre.

Diz ainda que, importa lembrar que os meios técnicos como é o caso dos ventiladores, por exemplo, “não se operam sozinhos”. “É fundamental ter um enfermeiro de Cuidados Intensivos que domine a máquina” de respiração artificial, assegura. Maria Luísa Ximenez recorda ainda que o Hospital Fernando da Fonseca, que no seu entender é apesar de tudo um dos “mais organizados” da região de Lisboa e Vale do Tejo, assim que começou a receber doentes infectados, optou por encerrar serviços inteiros e suspender as cirurgias agendadas. “Ficaram milhares de operações por fazer e muitos doentes sem cuidados”, afirma consternada. Para a responsável, “o medo generalizado da população portuguesa fez o resto” e os serviços estiveram vazios, sem doentes, durante meses.

Maria Luísa Ximenez acusa ainda o Governo e o Ministério da Saúde de não “visitarem o terreno”e de “não ouvirem os profissionais de saúde” que em grande parte acabam por ter de tomar decisões muito importantes completamente sozinhos.

Sobre a “falta de planeamento”, a enfermeira-chefe do Hospital Fernando da Fonseca garante que “exemplos não faltam”. “Há o caso do italiano que esteve quatro horas à espera, dentro de uma ambulância até alguém decidir para que hospital ele devia ir” e de uma doente infectada que acabou por morrer e só depois chegaram as indicações do que devia ser feito. A enfermeira-chefe confessa que os enfermeiros estão cansados e sentem-se, muitas vezes, frustrados com a “desumanidade com que têm de tratar os doentes”.

Fonte: Saudemais.tv

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